Que faremos, irmãos? (Parte 1) – Nivaldo Schneider

Que devo fazer para ser salvo? Pergunta o carcereiro de Filipos. Como posso alcançar um Deus misericordioso? Perguntava Lutero antes de encontrar a verdade do evangelho. Que faremos, irmãos? Perguntam os ouvintes do sermão do apóstolo Pedro no dia de Pentecostes.

Na ânsia da busca por coisas materiais e terrenas, facilmente corremos o risco de esquecer a pergunta fundamental da nossa vida, ou seja, a pergunta pela salvação. O texto de At 2 fala a respeito disso. Por isso, baseados nele, queremos meditar sobre o tema: Que faremos, irmãos?

O texto está inserido no contexto do episódio do primeiro Pentecostes da igreja cristã em Jerusalém, relatado por Lucas no início do capítulo 2 de Atos. Pedro, em nome dos onze, tomou a palavra, e dirigiu aos milhares que haviam sido atraídos por aquela cena impressionante, o som de um vento muito forte, as línguas como de fogo, como chamas sobre eles e a pregação do evangelho em pelo menos 15 línguas diferentes e fez aquele vibrante sermão que teve como resultado a conversão de quase três mil pessoas. O nosso texto apresenta a conclusão do sermão de Pedro e a reação entre os ouvintes.

Do começo do sermão de Pedro o nosso texto salta até o final: Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel, de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. (v. 36). O apóstolo Pedro, pregador deste sermão maravilhoso está absolutamente convencido de que o desprezado Jesus, homem do interior da Galiléia, da desprestigiada vila de Nazaré, foi feito Senhor e Cristo. Esta era uma notícia assustadora para os adversários, mas uma notícia maravilhosa para os que nele creem. Pedro estava diante dos mais altos representantes da “casa de Israel”. Eles são os primeiros que devem ouvir como se cumpriram as promessas de seu Deus e Senhor.

Vejam que vergonha. Pedro prega uma lei duríssima, mostrando que os mais altos representantes da “casa de Israel” crucificaram o seu próprio Senhor.

Seus olhos agora se abriram para a sua terrível atitude para com Jesus. Não apenas pelo seu ato criminoso, mas também para a culpa de sua incredulidade. Em última análise, a incredulidade está sempre na raiz de toda a alienação de Deus e a lei deve revelar essa causa profunda. Eles sentiram um profundo pesar de terem ofendido a Deus e esse sentimento é o começo do verdadeiro arrependimento causado pela lei de Deus. Enquanto a pessoa apenas lamenta as más conseqüências causadas na sua vida pelos seus pecados, ainda não foi atingida pela lei de Deus.

A terrível rejeição de Jesus pelo povo de Israel fez com que todos que estavam fora do círculo da “casa de Israel” tivessem acesso a esta mensagem. Entre estes que estavam fora, estamos todos nós.

Qual foi o resultado da pregação de Pedro? Diz o nosso texto que “ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Vejam que o Espírito Santo entrouem ação. Pela palavra que Pedro pregou, ele atingiu aqueles corações que procuravam a verdade, o consolo.

O que é compungir o coração? O verbo original dá idéia de um transpassar, como de uma flecha. Por detrás destas flechas não estava uma simples palavra humana, mas o próprio Espírito de Deus que atua pela palavra. Uma flecha de aço mata o homem quando penetra em seu coração. A flecha do Espírito Santo, a palavra de Deus, mata e vivifica ao atingir o coração: mata o velho homem, a velha natureza, que serve ao diabo e as suas forças; e vivifica, faz renascer o novo homem, criado segundo Deus. Isto não significa o término da lutaem nós. Nomomento em que, pela graça de Deus, e pelo poder do Espírito Santo agindo no evangelho, nos tornamos filhos de Deus, começa em nós a luta diária e constante entre o velho homem e o novo homem.

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